domingo, 12 de outubro de 2014

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OS EGÍPCIOS FORAM OS PAIS DA MEDICINA?

















Você é médico, ponha de lado aquele seu livrinho com o juramento de Hipocrates e aprenda a traduzir hieróglifos. Egiptológos da universidade de Manchester, na Inglaterra, querem destronar o grego conhecido como o pai da medicina e esperam coroar os sábios do Nilo, que o precederam em 1000 anos.Para tanto eles se baseiam no conteúdo dos papiros que ditam substancias e formulas usadas até hoje na medicina. Na lista datada do século 19 a.C. encontram-se produtos farmacêuticos como é mel,resinas e alguns metais conhecidos como antibióticos para o tratamento de feridas. Laxantes poderosos a base de óleo de mamona também constavam da lista,assim como fármacos naturais e eficazes contra cólicas, artrite e vermes. O importante é que isso indica que os egípcios tinham conhecimento da relação de causa e efeito de cada produto que aplicavam a chamada ciência da farmacêutica, que visa a cura pela mudança interna do corpo ativada por meio de substancias terapêuticas. Em outras palavras, quase mil e quinhentos anos antes do esforço de racionalização e sistematização ocorrido na Grécia a civilização egípcia já se aproximava de uma relação quase cientifica com o corpo humano, mesmo sob uma pratica bastante ritualizada.

 

Dumuzi e Inana
A simbologia única da maçonaria nas lendas maçônicas que se referem a imortalidade da alma, dá-se destaque a antiga mesopotâmia e o culto ao Deus Dumuzi, qual é o símbolo da imortalidade do espírito e da eternidade. A civilização do Antigo Egipto estendeu-se por um longo período de quase 3 milênios, constituindo um dos exemplos mais interessantes das chamadas culturas pré tecnológicas arcaicas.

As principais fontes de informação acerca da atividade médica chega-nos através dos rolos de papiros. Existem 14 rolos de papiros médicos, em diferentes estados de conservação,a maior parte correspondendo ao Império Médio(2050-1800 anos AC), mas contendo referências ao Império Antigo (2700-2185 anos AC). Partindo da crença segundo a qual a doença resultava do efeito de um espírito maligno sobre o corpo – pelo que qualquer tratamento médico não podia senão diminuir os sintomas, ficando a doença apenas curada quando o demônio deixasse o corpo do doente – aos poucos o pensamento médico foi progredindo, tendo o exorcismo ficado cada vez mais reservado para casos verdadeiramente desesperantes. Este movimento, do mágico para o empírico, parece resultar das práticas de dissecação, a partir das quais vão crescendo os conhecimentos anatômicos e com eles o conhecimento sobre o diagnóstico. Apesar de haver, naquela época, uma compreensão muito avançada sobre a circulação sanguínea e sobre o papel do coração, não deixava de reinar a crença que o pensamento se localizava no coração e se nutria do corpo. Os antigos egípcios desenvolveram, pois, uma amalgama entre a medicina empírica e a medicina mágica. A farmacologia do antigo Egito constituía uma grande parte da medicina da época, como se pode ver pelo chamado papiro farmacológico de Ebres. Com uma grande auréola mística, cada receita envolvia uma complexa preparação de medicamentos, em que os compostos provinham do reino mineral, vegetal, animal ou de substancias provindas de combinações das três origens. Encontra-se, nesse papiro, diversos remédios contra o cancro, as doenças de pele, as perturbações ginecológicas e até, mesmo, para tratamento das sequelas do abortamento. Uma vez por outra a tradução dos textos esbarra com a intransponível dificuldade de se desconheceremos termos técnicos de zoologia e botânica da antiga língua egípcia. Outras vezes, o próprio médico que A Medicina em História.

A Medicina egípcia ditou a receita não foi exato. "A erva se-nutet(desconhecida pelos historiadores e botânicos) é trepadeira, como a planta gadet (também desconhecida)e tem flores semelhantes às do lótus", diz um dos textos.Mesmo para os que conhecessem a planta gadet, a descrição pareceria muito vaga.Figura (de cima para baixo)A deusa Sekhmet, protetora dos médicos. (Museu Egípcio, em Turim).Coluna gravada em hierático,do papiro médico de Edwin-Smith (Séc.XVII AC – Soc. Histórica de New York).Um dos quatro vasos chamados “canópicos”, nos quais eram depositadas as vísceras do morto, depois de embalsamadas (XXVI Dinastia, 663-525 AC – expostos no Museu Egípcio, Turim).54VOLUME III, Nº3. MAIO/JUNHO 2001 Leituras.

Mas, noutros preceitos, a terapêutica é eficaz e racional, como nos casos em que o médico recomenda inalações de vapor: "Pega em sete pedras e fá-las aquecer ao fogo; pega numa e lança sobre ela um pouco do medicamento; fecha-a num vaso novo, com o fundo furado. No furo. aplica um tubo, do qual aproximarás tua boca, de modo a inspirar o vapor que sai. Repete a operação com todas as outras pedras. "Existe, por exemplo, o conselho de dar sementes de papoula ao latente nervoso e com insônias, que revela conhecimento empírico exato e profundo.

Mesmo hoje, para lactentes inquietos e que apresentem sintomas de cólicas intestinais, são, por vezes, recomendados medicamentos derivados da papaverina, substancia extraída da papoula é dotada de propriedades calmantes e antiespasmódicas. Outro conselho digno de menção e também para as mães da época:untar o bebê com gordura de gato para que os ratos não o molestem durante o sono. Embora não se revele muito pratico, para o observador moderno, o preceito talvez fosse importante numa região infestada por ratos famintos e transmissores de moléstias. Quanto à eficácia da gordura de gato, certamente o médico egípcio se fiava na proverbial e milenar repulsa que o cheiro de gato inspira aos ratos. Um remédio que apresentava um uso muito divulgado era o mel, o qual era incluído na maior parte das preparações medicamentosas. O mel, para além das qualidades nutritivas, assegurava um meio fácil de administrar as ervas e outros preparados pelo seu agradável sabor.Há também indicadores da existência de uma proto-cirurgia no antigo Egito que incluía a analgesia e a sedação, a incisão, trepanação, a proto cirurgiados traumatismos e a antisepsis. Já no que respeita às observações empíricas referentes a doenças ou disfunções do sistema nervoso, muito embora poucas, parecem ser aprofundadas. Por exemplo, os tratamentos para as enxaquecas ocupam um longo capítulo do único papiro de Ebers completo e melhor preservado. A demência, as convulsões e a tétania foram mencionadas ao de leve em diferentes papiros. Com as descrições clínicas detalhadas dos traumatismos cranianos e vertebrais apresentadas nos papiros de Edwin Smith, a neurologia do Egito faraônico atinge a sua maior importância. Este papiro, oriundo séc. XVII AC, foi publicado em 1930, com tradução de James Henry.

Concebido na Idade das Pirâmides (3000-25000 anos AC),para além de ser um documento sobre a ética médica daquele tempo,contém as menções mais antigas na literatura oriental sobre o cérebro, as meninges e os traumatismos cervico-basilares. Num estilo de simplicidade cativante, clareza indiscutível e eficiência bastante razoável, o papiro de Edwìn-Smith enumera conselhos sobre ferimentos e fraturas dos mais variados Vejamos, por exemplo, as instruções para um ferimento na região temporal: cure-se um homem ferido na têmpora e com um ferimento não aberto; mas se atinge o osso, deverá ser examinada a própria ferida. E se for encontrado o osso temporal ileso, então pode-se dizer a respeito desse caso: tem uma feridana têmpora, é um mal que posso curar. Fá-lo, no primeiro dia com carne fresca, depois trata-o com um unguento e mel, até à cura completa."A avaliação da própria competência por parte do médico ("é um mal que posso curar"), bem como sua confissão de incapacidade nos casos irremediáveis, aparece repetidamente, como que a dar ênfase a um princípio ético a ser observado pelo médico.Porém, não nos esqueçamos que, não obstante as surpresas neles contidas,os documentos que descrevem atividades médicas no antigo Egito também indicam a superficialidade de certos conhecimentos relativos à anatomia e à fisiologia humanas. O vocabulário relativo à anatomia externa era vasto e particularizado, mas o que se referia a órgãos internos era desproporcionalmente limitado.

A representação hieroglífica de órgãos internos humanos quase sempre é a de órgãos de animais. Da anatomia interna, o médico egípcio conhecia apenas os ossos, alguns órgãos fundamentais como o coração, o fígado, o estômago, os pulmões, os intestinos e a bexiga. Mas não distinguia músculos de nervos, nem artérias de veias, embora soubesse que o sistema vascular é governado pelo coração. Contrastando com a natureza rudimentar desses conhecimentos,o médico egípcio provavelmente possuía o conhecimento das propriedades medicinais de certas substâncias, especialmente vegetais, como dá a entender o conselho relativo às sementes de papoula. No entanto,devemos ser muito cautelosos quanto à eficácia desses tratamentos.Apesar da argúcia e da experiência da medicina egípcia, a terrível desordem em que se dispõem os textos dos papiros de Ebers e Edwin-Smith dão a entender que os conhecimentos ainda estavam longe de constituir um sistema científico. A existência de tratados práticos com pouca explicação sobre a patologia subjacente ou com explicações de teor mágico (por exemplo, uma teoria primitiva do fluxo de humores, envolvendo o fluxo de diferentes entidades malignas) insere esta prática médica mais num sistema mágico e religioso do que num sistema empírico, ainda que rudimentar. Nem mesmo a abundante farmacologia egípcia chegou a estruturar-se de modo sistemático, o que lhe teria dado melhores condições de desenvolvimento.

   
Já no tempo de Pitágoras e de Platão, o conhecimento, deturpado quanto aos sacerdotes e nos seus mistérios, só subsistia entre raros iniciados. As descobertas científicas certamente tornaram nulos os segredos dos Grandes Antepassados, mas a principal causa da degradação dos tempos atuais provêm da direção diabólica que se imprimiu ao nosso modo de civilização. Se existem ainda guias no invisível ou em santuários ignorados, o homem do século XX está no direito de duvidar de seu poder total. E quanto ao iniciado, qual é o seu papel nessa aventura? Que forças irrisórias espera ele atirar para o meio duma refrega em que combatentes não se apercebem de sua presença? O seu papel não será, mais do que sempre, manifestar-se , falar?  É bem evidente que o Conhecedor tem o imperioso dever de revelar tudo o que pode ser útil aos seus contemporâneos. Foi por essa razão que Pitágoras quis iniciar-se nas práticas dos Asclepíades, a fim de conhecer os medicamentos e os métodos de cura que esses sacerdotes curandeiros, caídos no empirismo, escondiam e deterioravam sob o véu da transmissão por ritos. Da mesma forma, em 460 a.C., Hiócrates arrancou a ciência do corpo humano aos sacerdotes e aos santuários para torna-la patrimônio de todos. O juramento de Hipócrates nada tem a ver com o mistério que se gostam de rodear os charlatães.

O que exigia dos seus discípulos era o seguinte: 

((Juro considerar como meu pai aquele que me iniciou na medicina; como meus filhos, os seus filhos e os seus condiscípulos; não me deixar seduzir por preço algum para praticar envenenamentos e abortamentos; evitar suspeitas ao tratar das mulheres; conservar o silêncio mais absoluto quanto ao segredo das famílias; tornar-se digno da estima geral.))
  Como se pode ver, a medicina é a única ciência onde se encontra mencionada a palavra(iniciado), e onde, por outro lado, são regra o juramento, a transmissão do conhecimento, o sentido moral e a proteção biológica da espécie. É fora de dúvida que a medicina seja um dos principais rumos da iniciação, se não o primeiro.