terça-feira, 11 de novembro de 2014

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Quem inventou o casamento?

Ao longo da história da humanidade, o significado do casamento vem mudando, de acordo com as ideias e conclusões tomadas pela sociedade. A ideia de se juntar a outra pessoa, estabelecendo assim uma relação de compromisso, surgiu, historicamente falando, na Europa, no início do ano 1000. Mas, naquela época, o matrimônio não era nada parecido com o que vemos na sociedade atual.Antigamente, a mulher não podia opinar em nada do que seria feito na cerimônia – que acontecia em ambiente familiar, ou seja, um evento bem simples – e muito menos em quem seria o seu noivo. 
Então, a instituição do casamento funcionava mais como uma troca de favores entre as famílias do noivo e da noiva, já que a família do homem deveria oferecer um dote em troca da mão da mulher com quem iria se casar.“Na Antiguidade, as uniões entre homens e mulheres eram essencialmente políticas e sociais, e decididas pelos pais. Assim, as mães escolhiam as esposas dos filhos, ou os maridos das filhas, sempre nos mesmos grupos clássicos, a fim de salvaguardar essa paz. Eram o que nós chamamos de ‘casamentos arranjados’”, afirma a doutora em Sociologia Andressa Silvério Terra França, que é professora de Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e da disciplina de Antropologia e Sociologia, da Universidade de Sorocaba (Uniso).Quase impossível imaginar uma coisa dessas aqui no Brasil, não é? Mas isso acontece ainda em alguns países, como na Índia, por exemplo.
Passando algumas centenas de anos à frente, algumas características do casamento que permanecem até hoje surgiram na Idade Média, quando o matrimônio aos moldes do cristianismo passou a ser empregado na sociedade. Alguns dos costumes pregados até hoje são sobre a questão de que o casamento deve ser mantido “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” e sobre o sentido de pureza que essa instituição carrega.Mas, o que difere o casamento daquela época com a atual seria de que na Idade Média não se acreditava que o amor seria o que deveria reger um casamento, e sim os interesses familiares.Somente ao final da Idade Média, no século XII, que o amor começou a ser considerado como o papel primordial para se escolher um parceiro ou parceira para o resto da vida, com muita influência do que dizia a Igreja Católica sobre o casamento. “O casamento por ‘amor’ ou ‘laços de afinidade’, era considerado altamente subversivo, sinônimo de morte e de ruína política das famílias. Hoje a realidade é outra, tanto é que o amor é visto como o que rege o casamento – e isso aconteceu por influência da doutrina cristã entre os séculos V e XV”, revela a professora. 

Esse movimento teve força, também, a partir do Renascimento, quando os pensadores começaram a demonstrar que os sentimentos deveriam prevalecer aos interesses.Nada melhor que um sentimento tão bonito e engrandecedor como o amor para nos fazer ficar com alguém para o resto da vida, não é mesmo?Mas, o ponto alto para essa mudança social foi quando, no século XIX, a rainha Vitória, da Inglaterra, escolheu sozinha o próprio marido e adotou elementos na cerimônia que caracterizam os casamentos de hoje, como a utilização da Marcha Nupcial para a entrada da noiva.A partir daí, as mulheres começaram a ter mais poder em suas decisões, principalmente na época da Revolução Industrial, quando elas saíram de suas casas para trabalhar, tendo mais autonomia. Hoje em dia, são as mulheres que planejam, praticamente, todo o casamento, desde a cerimônia até a festa.