segunda-feira, 10 de novembro de 2014

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White-Coke: a Coca-Cola transparente que foi proibida

É transparente, não tem cheiro, mas o gosto é de Coca-Cola. Uma bebida estranha e proibida!


É transparente, não tem cheiro, mas o gosto é de Coca-Cola. Uma bebida estranha, poderíamos dizer. Porém, o mais esdrúxulo foi que a Coca Cola Company, uma das empresas-símbolo dos Estados Unidos, criou uma versão de seu refrigerante para um cliente especial: um alto oficial da inimiga União Soviética. Em plena Guerra Fria.
A “White Coke” foi uma “encomenda” feita pelo oficial mais condecorado da União Soviética: o Marechal Georgy Zyhukov. Mas já não era daquela época que política e Coca-Cola andavam de mãos dadas. Tanto que o começo do sucesso internacional da bebida, hoje vendida em qualquer parte do mundo – exceto em Cuba e Coreia do Norte -, começou justamente durante a Segunda Guerra Mundial.
Marechal Georgy Zyhukov

Isso porque o comandante das Forças Armadas dos EUA, Dwight D. Eisenhower, era amigão do presidente da Coca-Cola, Robert Woodruff, que comandou a empresa de 1923 até 1954. Devido ao conflito, o açúcar era um produto escasso e racionado e necessitava de uma autorização especial para ser importado, o que, claro, não era problema para a Coca-Cola.
Mas voltemos à história da “White-Coke”.

Guerra Fria

Fim da guerra. Berlim é tomada e dividida entre várias áreas de ocupação. Zhukov era o chefe-máximo da ocupação soviética e ficou muito amigo de Eisenhower. Apesar de ter provado e gostado da Coca-Cola, o marechal soviético sabia que não pegaria bem ficar consumindo por aí a bebida símbolo do “imperialismo capitalista estadunidense”. Stálin poderia ficar irritado.
O Marechal solicitou, então, ao americano que elaborasse uma versão do refrigerante que não desse muita bandeira. Que fosse parecida, talvez, com a vodka, paixão nacional do povo russo. O então presidente americano, Harry S. Truman, autorizou a “operação”. Porém, faltava a parte mais difícil: desenvolver um líquido incolor e com gosto de Coca-Cola.
Woodruff trabalhou com seus químicos para elaborar a “White-Coke”. Conseguiram. Foram mandadas 50 garrafas para o marechal numa operação ultrassecreta. Mas a coisa toda parou por aí. Devido à amizade do marechal com Eisenhower, o Exército Vermelho abriu os olhos com Zhukov. Além disso, o povo alemão estava insatisfeito com sua administração. Esse clima de desconfiança resultou na transferência de Zhukov para a região dos Montes Urais, colocando fim ao contrabando de Coca-Cola transparente.

Uma versão parecida de refrigerante foi lançada na década de 1990. Era a Pepsi Crystal, que não tinha cafeína e era totalmente transparente. O fracasso, no entanto, foi instantâneo, e a bebida foi engavetada.