quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

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Por que os Chimpanzés não evoluiram como os humanos?


A cultura humana é extremamente variada, caracterizada por diferenças de religião, vestimenta e costumes sociais. Os chimpanzés, parentes vivos mais próximos da humanidade, diferem de grupo para grupo, também. Mas a cultura chimpanzé não é tão complexa como a cultura humana.

Agora, um novo estudo sugere uma razão para isso: chimpanzés não são tão motivados a aprender uns com os outros como seres humanos são.
“Este estudo é novo em mostrar uma diferença entre as espécies na facilidade para incorporar informações sociais a um repertório próprio”, disse o pesquisador Edwin van Leeuwen, estudante de doutorado no Instituto Max Planck de Psicolinguística, na Holanda.

Cultura chimpanzé?

Os chimpanzés vivem em pequenos grupos, muitas vezes perto de outros “tribos” chimpanzés. Estes grupos diferentes parecem ter suas próprias tradições culturais. Por exemplo, um estudo de 2012 no Parque Nacional de Taï, na Costa do Marfim, constatou que três grupos de chimpanzés usavam ​​diferentes técnicas para quebrar nozes . Estes grupos eram miscigenados e misturados, portanto, as diferentes táticas não eram de origem genética. Ao contrário, elas provavelmente foram passadas através da aprendizagem social – a definição de cultura.

Ainda assim, uma técnica diferente para quebrar nozes não é tão dramática como são as completamente diferentes línguas, religiões, estilos de vestir, costumes sociais ou tradições. Os seres humanos parecem ser únicos na capacidade de fragmentação de um para outro, e não é claro o motivo para isso, disse van Leeuwen. Os chimpanzés não são significativamente mais conservadores do que os seres humanos, e eles são capazes de imitar um ao outro e aprender sobre o uso de suas ferramentas sociais.
Talvez, acreditam van Leeuwen e seus colegas, a diferença entre humanos e chimpanzés não está na capacidade, mas na motivação. Os pesquisadores testaram 23 crianças alemãs em idade pré-escolar e 14 chimpanzés, colocando-os em experiências quase idênticas.
Em cada caso, os pesquisadores colocaram três copos em uma mesa com uma recompensa (um brinquedo ou um agrado) escondido debaixo de um dos copos. A criança ou o chimpanzé poderia escolher apenas uma xícara para levantar durante cada série experimental. Em alguns casos, as crianças puderam assistir a outras crianças pegarem um copo antes de chegar a sua vez; os chimpanzés também tiveram, por vezes, a oportunidade de assistir outro chimpanzé escolher.
Os pesquisadores então mediram a intensidade com que as crianças e os chimpanzés reuniram informações, levantando os próprios copos versus a informação que eles reuniram observando outro indivíduo pegar a xícara.
Os resultados mostraram que crianças e chimpanzés preferem confiar em sua própria experiência, ao invés da de seus pares. Mas as crianças humanas foram mais suscetíveis à influência de um outro indivíduo do que os chimpanzés. Enquanto eles pegaram copos ao acaso, mesmo depois de ver outro chimpanzé encontrar uma recompensa, crianças humanas foram mais propensas a procurar em um local onde viram um outro garoto ganhar um agrado.
O mais impressionante, diz van Leeuwen, é que as crianças que viam um outro garoto inspecionando os copos, mas que não tinham tido a oportunidade de explorar por elas mesmas, dependiam quase inteiramente do comportamento da outra criança, quando tiveram a chance de pegar um copo por si próprias. Chimpanzés não.
“Embora eles observassem outro chimpanzé resolver a tarefa, os chimpanzés usavam essa informação muito menos do que as crianças”, disse van Leeuwen.
Os resultados sugerem que os chimpanzés são menos motivados por informações sociais do que os humanos, disse ele. Isso, por sua vez, poderia explicar a relativa falta de cultura dos chimpanzés; eles simplesmente não estão tão interessados ​​em aprender com os outros. Mas ainda há muito trabalho, acrescentou. Os resultados podem diferir em situações de grupo, ou se um parente próximo fornece a informação social, e não um estranho, por exemplo.
Os pesquisadores relataram suas descobertas nesta terça-feira (11 de novembro) na revista Biology Letters.