sexta-feira, 4 de abril de 2014

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Consumo, logo existo


Comprar exageradamente pode ser uma forma patológica de aplacar angústias; muitas vezes, a compulsão é “sazonal”: festas de fim de ano e férias convidam ao consumo excessivo.

Diante de um mercado forte e diversificado, o homem da sociedade contemporânea é continuamente bombardeado por sedutoras peças publicitárias, que prometem bem-estar, status, conforto, projeção imediata e ilusão de segurança. Com a chegada das festas de fim de ano, a lógica do “consumo, logo existo”, segundo a qual o bem-estar é conquistado pela aquisição de produtos, se torna ainda mais evidente. Em casos extremos, a compulsão por compras pode se tornar patológica.

Dois psiquiatras, o alemão Emil Kraepelin (1856-1926) e o suíço Eugen Bleuer (1857-1939), foram os primeiros a escrever sobre o comprar compulsivo (ou oniomania), no início do século XX.Para os pesquisadores, levar em conta a dificuldade de controlar o impulso é elemento essencial para compreender o quadro. Eles observaram que algumas mulheres com esse diagnóstico buscavam excitação, assim como os jogadores patológicos. O tema caiu no esquecimento nos anos seguintes e foi retomado de forma mais intensa na década de 90. O transtorno, porém,ainda não é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a psicóloga Tatiana Filomensky, do Ambulatório dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas, a pessoa que sofre de compulsão experimenta uma forte ansiedade que só é aliviada quando faz a compra. “Ela não consegue controlar um desejo intrusivo e repetitivo. O ato é imediatamente seguido por intenso sentimento de alívio.” Em situações de impossibilidade de comprar podem aparecer sintomas como irritação, sudorese, taquicardia, tremor e sensação de desmaio iminente. Algum tempo depois de adquirir a nova mercadoria, porém, surge a sensação de remorso e decepção diante da incapacidade de controlar o impulso. Numa atitude compensatória, o mal-estar causado pela culpa leva a pessoa a comprar novamente, dando continuidade ao círculo vicioso.

Numa sociedade que estimula o máximo consumo e a satisfação do prazer imediato, a compulsão por compras não é notada tão prontamente pela família, diferente do que ocorre com de outras dependências, como o abuso de drogas. Por isso, quem sofre do transtorno leva muitos anos para reconhecer o caráter patológico do seu comportamento. Mas quando isso acontece, a pessoa sente vergonha por não vencer a batalha contra o impulso – e, assim, o transtorno pode ser mantido em segredo por anos a fio.

Segundo a psicóloga Juliana Bizeto, coordenadora do Ambulatório de Dependências Não Químicas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a avaliação do problema não é feita com base na quantidade de dinheiro gasto. Isso, por si só, não constitui evidência para diagnóstico, mas sim prejuízo que o comportamento pode causar na vida da pessoa, já que ela passa a negligenciar atividades sociais importantes como trabalho e família. “O que deve ser considerado é a relação do paciente com a compra. Para o compulsivo, o único prazer está no ato de adquirir, ele não pretende usufruir do objeto: é um comportamento vazio”, afirma. Há, portanto, uma restrição do prazer, um empobrecimento social e uma queda da qualidade de vida, já que a pessoa se torna apática diante de outros estímulos.”

Em sua tese de doutorado, Juliana Bizeto investiga os fatores de risco que estão envolvidos com o surgimento de dependências não químicas. Com base em dados de uma pesquisa realizada com pacientes compulsivos atendidos pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Unifesp, ela constatou que um aspecto de grande importância é a falta de inserção social. “A pessoa que não está inserida em um grupo social, seja no trabalho, na família ou na igreja tem maior possibilidade de desenvolver algum tipo de dependência, seja por compras, jogos, sexo ou internet”, observa.

O artigo “Compulsive Buying. Demography, Phenomenology and comorbidity in 46 subjetcs”, publicado pelo periódico Gen Hosp Psychiatry em 1994, mostra que 94% dos compradores compulsivos são mulheres. Juliana ressalta, porém, que a presença do transtorno na população masculina pode estar subestimado. “Não sabemos se as mulheres são realmente as maiores vítimas ou se são as que mais frequentemente procuram o serviço de saúde. Em alguns casos, a gravidade do quadro é ainda mais acentuada nos homens porque eles demoram a buscar tratamento e, quando isso acontece, chegam ao ambulatório muito comprometidos”, ressalta.


Tempo de Abusos

Nem sempre esse comportamento se repete durante o ano todo. A pessoa também pode ter “orgias” de compras ocasionais em algumas situações, como aniversários, épocas de festas e férias. A terapeuta observa, porém, que o gasto episódico não é suficiente para confirmar um diagnóstico. “No caso da compra por hábito ou impulso, a pessoa se sente atraída pelo produto; quando se trata de compulsão há descontrole, o compulsivo simplesmente não resiste e compra”, diz a psicóloga Júnia Cicivizzo Ferreira, da Unifesp.

Ela lembra que, em geral, os adolescentes são alvos fáceis quando o assunto é o consumo exagerado. O transtorno tem início no final da adolescência, fase em que as pessoas conseguem crédito pela primeira vez, fazendo com que alguns já iniciem a vida adulta como uma dívida incalculável. As compras descontroladas feitas por adolescentes podem estar associadas ao abuso

de drogas e de álcool e ao início precoce da vida sexual. Apesar de o custo do transtorno nunca ter sido calculado, estima-se que o impulso de comprar movimente mais de US$ 4 bilhões em compras anuais nos Estados Unidos, segundo o artigo “The Influence of culture on cunsumer impulsive buying behavior”, de 2002, publicado na revista J. Consume Psycol.

Segundo Tatiana Filomensky, o comportamento compulsivo pode servir como meio de descarga para sanar angústias, raiva, ansiedade, tédio e pensamentos de desvalorização pessoal. Segundo ela, trata-se de um movimento aprendido. Embora não haja um “modelo”, há muitos casos de pessoas com o transtorno que tiveram pais ausentes que compensavam negligência com presentes. “Há casos, por exemplo, de pessoas que se atrasam para buscar o filho na escola e depois os compensam com doces ou brinquedos. Com isso, ensinam que objetos e produtos aplacam a tristeza; esse comportamento pode ser adotado pela criança na fase adulta.”

“Há pais que passaram por dificuldades financeiras na infância e, na melhor das intenções, tentam poupar os filhos de privações”, diz o psicólogo Luiz Gonzaga Leite, coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo. “Isso pode comprometer a ideia de limite tornar essas crianças, adultos incapazes de suportar frustrações.”


Poder e Narcisismo

O psicólogo Antonio Carlos Alves de Araújo concorda que o transtorno está relacionado à carência afetiva, mas acredita que o problema também tenha implicações com a necessidade de estabelecer relações de poder. “Nossa organização social nos ensina que para ser poderoso é preciso possuir objetos. O desejo de posse pode ser uma forma de compensar sensações de inferioridade que vivemos na infância diante dos adultos. Parte daí a vontade de mostrar, mais tarde, que somos fortes. E essa busca é realimentada pela cultura: afinal de contas, a carência dá lucro.”

Já o psicanalista Joel Birman, professor de psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que a voracidade do compulsivo está envolvida com elementos tão presentes na atualidade, como o narcisismo, o culto ao eu e o vazio existencial. O ato de comprar, segundo ele, equivale a uma experiência erótica que atenua o sofrimento do homem contemporâneo. “As pessoas recorrem ao consumo exagerado para que possam exibir uma imagem narcísica, que tem por objetivo o preenchimento do vazio com objetos. A compulsão se baseia numa lógica social que supervaloriza o ter em detrimento do ser.”

Segundo Birman, a pessoa está sujeita ao consumo incontrolável à medida que projeta ideais de perfeição nos ídolos idealizados, fabricados pela indústria cultural, que suprem a carência afetiva. “Nossa cultura valoriza astros envolvidos em impressões estéticas e performáticas, o que aumenta a insegurança das pessoas sobre o que têm como potência. Isso deflagra uma sensação generalizada de desqualificação. Se não fôssemos bombardeados a cada instante pelo estrelismo alardeado pela mídia, estaríamos menos tomados pela compulsividade.”


O avarento e o perdulário: duas faces da mesma moeda

Em seu livro Do ter ao ser, o psicanalista Erich Fromm diz que possuir coisas é uma condição inerente ao homem. Há cerca de 12 mil anos, com a fundação da agricultura, nossos ancestrais passaram a desenvolver uma ligação mais intensa com utensílios e adornos. Os objetos eram usados no cotidiano e tinham funcionalidade. Na sociedade capitalista, porém, a propriedade deixa de ter esse caráter utilitário: em geral, acumulamos mais bens do que somos capazes de usar.

Do ponto de vista psíquico, o avarento e o esbanjador têm em comum a relação patológica com a propriedade, relacionada ao “ter possessivo”: ambos querem acumular mais que seria necessário para o seu uso. Tanto a infinidade de objetos que o gastador acumula em suas incursões por lojas de departamentos quanto o dinheiro que o poupador exagerado deixa de gastar remetem à ideia de uma propriedade morta, uma vez que os bens deixam de ter qualquer funcionalidade ou valor de uso.

Em seu texto “Caráter do erotismo anal”, de 1908, Sigmund Freud propõe um paralelo entre os interesses envolvidos no ato de acumular bens e o dinheiro. Segundo a teoria psicanalítica, a criança se agarra ao desejo de possuir porque ainda não é capaz de produzir – e essa sensação faz parte do desenvolvimento saudável. Mas se o adulto se torna refém do sentimento de posse, isso pode significar que ainda não se sente capaz de criar algo por si.


Fatores Biológicos

Pesquisas indicam que alguns neurotransmissores têm papel importante no surgimento do comportamento compulsivo. É o caso da serotonina, envolvida nos processos de regulação dos estados de humor e do sono. Pouca quantidade da substância no cérebro parece estar ligada à impulsividade. Um estudo que examinou usuários de ecstasy, droga que leva à perda de neurônios de serotonina, mostrou que esse grupo apresentou maior propensão à impulsividade e tomadas de decisões erradas.

Outra substância que pode estar envolvida na compulsão é a dopamina, relacionada à dependência de substâncias e de comportamentos. As alterações na atividade do neurotransmissor podem estar associadas à busca de recompensas, que causam sentimentos de prazer. Alguns autores do estudo propõem a existência de um mecanismo de dependência desencadeado pela diminuição de dopamina, que provoca a chamada síndrome de deficiência da recompensa e indica que algumas pessoas têm mais risco de desenvolver dependência.

Estudos com pacientes com doença de Parkinson reforçam a hipótese de que a dopamina está envolvida nos transtornos do controle dos impulsos. Vários pacientes examinados apresentavam comportamento repetitivo de busca de recompensa, como compulsão por jogo, sexo, comida e compras. Esse comportamento estaria relacionado com a degradação das células neurais que captam a substância, em função da doença e do tratamento.

Os errantes do universo: Processo evolutivo

Houve um tempo em que era uma glória para todos nós andarmos por entre as florestas e campos, ouvindo os diversos sons proporcionados pela natureza. O cruzamento dos sons com as imagens produzia em cada um de nós uma torrente de sentimentos e emoções que levava-nos a criar novas coisas. A natureza era nossa ferramenta e ao mesmo tempo nossa inspiração. De tudo que nela havia tirávamos proveito. Tudo era aproveitado, mas nada era usurpado, pois respeitávamos os ciclos da natureza e sabíamos que éramos parte dela. Este respeito mútuo permitiu-nos entrar em contato com os mais profundos segredos da natureza. Nada era extraído contra a vontade. Se precisávamos nos agasalhar, os animais nos ensinavam a tirar proveito de suas peles. Se precisávamos comer, os seres dos diversos reinos se ofereciam para saciar nossa fome. Observando a natureza aprendíamos a nos reconhecer, respeitávamos as diferenças. Ao olharmos para nossos interiores aprendíamos muito sobre nós e respeitávamos melhor quem estivesse ao nosso redor, pois se percebíamos nossas fraquezas e virtudes, sabíamos que o outro não era superior ou inferior a nós e estava de alguma maneira em fase de descobertas também e por isto aproveitávamos para trocar idéias sobre tudo e isto enriquecia nossas experiências e inspirava nossos futuros passos.
Um dia nós perdemos este exercício! Deixamos de respeitar a natureza, começamos a achar que éramos maiores do que ela, que poderíamos dominá-la. Descobrimos que poderíamos ser mais poderosos do que ela e por fim, num reflexo natural, percebemos que o outro poderia ser dominado. E do respeito passamos para o medo. Passamos a temer o outro, passamos a achar que o outro não poderia saber nada sobre o que se passava dentro de nós. Descobrimos a desconfiança. Não olhávamos mais nos olhos do outro com medo de que ele percebesse nosso medo e nos dominasse. Passamos a nos concentrar não mais no crescimento interior, mas na conquista desesperada de maneiras e idéias que nos tornasse aparentemente superiores ao outro. Nos tornamos ricos e poderosos externamente. Já não nos avaliávamos pelo que éramos, mas pelo que temíamos que o outro poderia ser. As sombras da noite tornaram-se tenebrosas, macabras e descobrimos a morte. Agora éramos assassinos. O outro poderia ser morto sem necessidade de tirarmos proveito dele, bastava um gesto ou olhar estranho, um único movimento suspeito. Já não éramos irmãos, mas somente inimigos! A natureza tornou-se nossa escrava e escravizamos quem estava ao nosso lado. Achávamos que poderíamos usar exaustivamente tudo o que a natureza nos fornecia antes de bom grado. Passamos a criar animais e a plantar vegetais. O que crescia tão somente para o prazer imediato agora poderia ser degustado com volúpia e sem necessidade. Criamos a fome e a pobreza! Nos tornamos insaciáveis! Os animais fugiam de nós. Os pássaros agora só cantavam para alertar aos outros seres nossa aproximação. Uns se ofereciam em sacrifício para nós com o fim exclusivo de permitir que seus irmãos animais fugissem para lugar seguro. Tornamo-nos carnívoros sanguinários! Começamos a sofisticar nossas caças a fim de superar nossas deficiências frente aos animais. Criamos aos poucos aquilo que hoje chamamos de tecnologia. Com a tecnologia poderíamos matar tudo o que estivesse na nossa frente, inclusive a nós mesmos. Nossas obsessões transformaram-se em doenças. Nossas doenças passaram a se transmitir por gerações. Dos animais mortos sem necessidade vieram as doenças e elas se propagaram na medida em que nossa tecnologia se expandia e chamamos a isto de progresso.
Os vegetais apodreciam nos pés vítimas de pragas antes inexistentes, pois eles agora eram plantados aos montes com pesticidas, mas muito além de nossas reais necessidades. Os vegetais ficaram sem nutrientes e trouxeram mais doenças. Os solos começaram a se esgotar e geraram mais doenças. As doenças cresciam e nós resolvemos que era hora de curá-las. Olhávamos ao que acontecia e concluíamos como poderíamos nos salvar das doenças. Aperfeiçoamos nossos métodos de análise até que conseguíssemos debelar esta ou aquela doença, nossos olhos se tornavam cada vez mais aguçados com a ajuda de instrumentos cada vez mais sofisticados. Nós conseguíamos enxergar a entranha de todos os seres, mas esquecemos de olhar para nosso interior. Matávamos as bactérias, os vírus e outros microorganismos sem saber que as doenças eram apenas fruto de nossa visão distorcida da vida. Já não tínhamos tempo para meditar ou para pensar. Nos tornamos a cópia fiel das máquinas que produzíamos em série. Não pensavam! Produziam!
Os males aumentavam e as tecnologias também. A soberba mais ainda! Nos tornamos sábios! Éramos capazes de falar línguas, de tecer pensamentos os mais diversos sobre a Criação, mas continuávamos a ser os mesmos seres insensíveis. Investigávamos todo o nosso planeta e nos maravilhávamos a cada descoberta e ao mesmo tempo usurpávamos nosso lar. Com o desenvolvimento da tecnologia pudemos criar lares mais confortáveis, mas às custas do uso excessivo e desmedido da natureza e começamos loucamente a desenvolver em nossos laboratórios tecnologias que nos ajudassem a viver melhor sem qualquer dependência daqueles recursos naturais, que se esgotavam muito rapidamente. Ao mesmo tempo passávamos a produzir mais seres. Eles não eram concebidos, eram produzidos. Criamos tecnologias que permitiam construir novos seres como nós. O amor não era mais necessário em nosso mundo. Passamos a investigar mais profundamente nossos corpos na busca desesperada da cura para os nossos males. A cada momento pipocava uma nova tecnologia capaz de nos trazer a saúde, a longevidade. Mas começamos a nos perturbar por isto. Como será um mundo sem  natureza? Qual a vantagem de se viver mais num mundo cada vez mais asséptico?
Criamos, então, tecnologias que nos permitiam criar novos seres, mais econômicos, desprovidos de tudo o que nos prejudicava. Seres tão insensíveis quanto nós. Logo perdemos o controle! Nos vimos rodeados por um mundo insensível, onde nossos filhos eram a cópia exata de nós mesmos, onde os outros seres eram apenas uma vaga lembrança dos sábios seres de outrora e onde nós nos tornamos apenas seres dedicados a produzir um mundo cada vez melhor. Nós alijamos a natureza, o Criador, o Amor e a Sabedoria, dentre outras coisas só porque um dia achamos que éramos melhores do que todos. Nos tornamos seres solitários que temíamos olhar para o outro. Éramos treinados a cada dia no exercício exaustivo de não sentir, não tocar, não experimentar. Achávamos que só do lado de fora existiriam explicações para o que éramos. Criamos tecnologias que sabiam explorar nossos tecidos, nossas células, nossos cromossomos, mas não sabíamos mais explorar a nossa alma. Esquecemos de tudo isto!
Nosso mundo morreu há muito tempo e nossas almas agora vagam por aí buscando ajudar a outros seres e mundos onde a tecnologia tornou-se um abuso e não uma aliada.
Cumprimos nosso dever!
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Tsunami Na Indonesia 2004 H.A.A.R.P

Algo de muito estranho aconteceu quando, no dia 26 de dezembro de 2004, uma gigantesca onda vitimou 168 mil pessoas. O fenômeno conhecido como tsunami devastou vários países da Ásia, como a Indonésia. 


Porém, a verdade é tão simples quanto assustadora. A chave para decifrar o que aconteceu passa pela a base britânica militar Diego Garcia. Mesmo localizada próxima do epicientro do terremoto não sofreu danos com o tsunami. Sim, isso mesmo. A base escapou intacta. Ora, basta ver de quem os ingleses foram aliados na Guerra do Iraque para perceber o que aconteceu.
É fácil perceber que os Estados Unidos estão por trás de tudo. Porém, qual seria o motivo. Alguns desqualificados chegaram a alegar que o presidente George W. Bush queria alterar eixo de rotação da terra para evitar a colisão com um asteróide! Por favor... Na verdade, Bush quis testar uma nova e formidável arma de guerra. E o mais assustador. É a segunda vez que ele faz isso.
Sim, pois um fato que não pode passar despercebido é que o trágico terremoto que atingiu o Irã e vitimou 30 mil pessoas, ocorreu em 26 de dezembro de 2003. Exatamente um ano antes do tsunami arrasar a Indonésia... Coincidência? Claro que não. Os Estados Unidos certamente devem ter testado pela primeira vez a sua arma de produzir abalos sísmicos.
Para nada dar errado era preciso esconder a existência do abalo. Isto foi feito com um sadismo brutal. O terremoto foi registado pelo serviço geológico dos EUA, para detecção de sismos. O centro de detecção no Pacífico também detectou o abalo. Porém, 15 minutos depois ambos emitiram um comunicado às ilhas do pacífico dizendo que não havia motivos para alarme. Havia uma tsunami, mas não haveria motivos para pânico.
A situação é mais fica mais bizarra, quando se sabe que, 65 minutos depois, ambos os centros emitem um segundo comunicado com a mesma informação. Infelizmente, esqueceram de avisar a respeito do tsunami à região da costa Indiana. O National Weather Service (NOAA) alegou que não tinham os contactos dos oficiais apropriados.
Como se pode notar, graças a essa ajuda providencial, ambos os testes foram um sucesso. Obviamente, milhares de pessoas morreram no processo. Porém, um país que reelege George W. Bush não está preocupado em poupar vidas humanas. Contudo, o precavido, arisco e arredio Zeronauta pode se questionar. E o motivo? O que levou os Estados Unidos a inundarem a Indonésia?
Fácil, tudo não passou de um golpe de marketing. Nenhum país foi capaz de mandar mais ajuda humanitária do que os Estados Unidos. Bush, normalmente um sujeito lerdo de dar dó, agiu com prontidão para auxiliar as vítimas do tsunami. Graça a sua decisão, passou a ser considerado um líder capaz de ajudar o mundo. Rapidamente, a imprensa esqueceu os escândalos do Iraque.
Agora, os Estados Unidos tem uma arma de destruição em massa pronta para entrar em ação. Para deixar tudo mais apavorante, eles podem devastar um país e ainda botar a culpa nas forças da natureza. Se algum dia o Brasil deixar de pagar o FMI, é bem possível que comecem a surgir terremotos e tornados em Brasília.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O que há por trás da compra compulsiva

''Consigo ficar alguns dias sem entrar em lojas e visitar sites de produtos na internet, mas depois disso a ansiedade aumenta e preciso comprar alguma coisa. [...] Quando chego em casa e vejo um pacote na entrada junto com as cartas, é como se estivesse recebendo um presente". Confissão de um comprador compulsivo.

Todos compramos por algum motivo, mas cerca de 7% das pessoas não conseguem controlar o desejo de comprar e gastam dinheiro com intuito de aliviar a ansiedade. Homens tendem a adquirir coisas mais caras, geralmente equipamentos tecnológicos. Mulheres compram coisas mais baratas, na maioria roupas, acessórios e produtos de beleza.

De onde vem a compra compulsiva? Aqui vão algumas hipóteses:



Ela pode estar relacionada a uma carência de afeto na infância. Alguns pais, ao invés de darem atenção e conforto, oferecem presentes aos seus filhos. Com o tempo, a criança cresce buscando coisas para preencher um vazio interior ou para acalentar sentimentos negativos associados à ausência dos pais. Algumas mulheres dizem que costumam comprar mais quando algo não vai bem. Quando há uma frustração e o consumo se torna o principal canal para lidar com ela, temos então um problema.

Aqueles que viveram necessidades financeiras também podem manifestar esse tipo de comportamento. A compra excessiva e o acúmulo nesses casos se dá como uma forma de garantir que nunca voltarão à condição anterior de pobreza. O dono de uma grande rede de lojas costumava comprar mais que seus armazéns eram capazes de estocar, levando muitas vezes ao apodrecimento de mercadorias. Havia passado fome na infância.

A necessidade de controle é outra fonte comum de compra compulsiva, afinal, quando possuimos uma coisa passamos a ter controle sobre ela. Controle vem de contra + roda. Controlar é um contra + rolar, ou seja, não deixar as coisas "rolarem", acontecerem. A pessoa controladora não costuma ter consciência do que se passa, mas possui uma sensação de vazio e profundo medo de abandono que despertam a necessidade de se sentir importante, tendendo a se colocar em situações de poder sobre pessoas ou objetos.

Outro comportamento comum é o comprador de "troféus" que busca coisas caras e produtos com marcas de luxo aparentes. Há uma transferência de atributos das marcas para o indivíduo, como um atestado de nobreza. A idéia nesse caso é levantar a auto-estima e pertencer a um grupo social, ancorado num desejo narcísico de se destacar da massa, se sentir importante e despertar inveja.

Por trás da compra compulsiva está, portanto, tudo o que é mais necessário na vida de uma pessoa: afeto, atenção, noção de pertencimento, auto-estima, reconhecimento, além evidentemente de comida. Costumamos associar carência à pobreza, o que nem sempre é verdade. O consumo compulsivo é uma demonstração de que se pode ser rico e carente.


Indicações de leitura:

Kukar-Kinney; Ridgway; Monroe
The Role of Price in the Behavior and Purchase Decisions of Compulsive Buyers
Journal of Retailing, Volume 88, Issue 1, March 2012, Pages 63-71

Mueller; Mitchell, Marino; Ertelt
Compulsive Buying
Encyclopedia of Behavioral Neuroscience, 2010, Pages 317-321

Weaver; Moschis; Davis
Antecedents of materialism and compulsive buying: A life course study in Australia
Australasian Marketing Journal (AMJ), Volume 19, Issue 4, November 2011, Pages 247-256