quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

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''Alimentar-se de carne fez nossos antepassados evoluírem ao que somos hoje'' diz pesquisa



Fragmentos de um crânio de uma criança com 1,5 milhões de anos, encontrado recentemente na Tanzânia, sugerem que os primeiros hominídeos não eram apenas carnívoros pontuais, mas regulares comedores de carne, dizem os pesquisadores. A descoberta ajuda a construir a teoria de que comer carne ajudou a linhagem humana a evoluir cérebros grandes, acrescentaram os cientistas liderados por Manuel Domínguez-Rodrigo, arqueólogo da Universidade Complutense de Madrid.


Pesquisas anteriores sugeriram que hominídeos pré-humanos, tais como Australopithecus podem ter comido alguma carne. No entanto, é o consumo regular de carne que muitas vezes se pensa ter provocado grandes alterações na linhagem humana, com este alimento de alta energia a suportar os grandes cérebros humanos.
Dada a sua importância para a evolução humana, os cientistas querem saber quando comer carne passou a ser uma atividade regular. Ferramentas de pedra que datam cerca de 2,6 milhões de anos em Gona, na Etiópia são muitas vezes considerados os primeiros sinais de que a carne era um alimento habitual humano, e evidências sugerem que este hábito remonta há pelo menos 3,4 milhões de anos atrás. 

"Apesar dessa ampla evidência, alguns arqueólogos ainda argumentam que a carne foi comida esporadicamente e desempenhou um papel de menor importância na dieta dos hominídeos", diz Domínguez-Rodrigo. (Hominídeos incluem os seres humanos e seus parentes após a separação da linhagem dos chimpanzés.)

Agora fragmentos do crânio de uma criança encontrados no desfiladeiro de Olduvai, na Tanzânia, sugerem que esta sofria de uma forma de desnutrição vista em dietas pobres em carne. Isto sugere que comer carne era normalmente uma parte regular da dieta humana no momento. Ainda não está claro a que hominídeo pertencia a criança - prováveis ​​candidatos incluem espécies humanas extintas, como o Homo Habilis ou o Homo Erectus.

O tipo de lesões ósseas que os pesquisadores viram neste fóssil são conhecidos como hiperostose porótica, que normalmente resulta de uma falta de vitaminas B9 e B12 na dieta. Este tipo de deficiência nutricional é mais comum no desmame, quando as crianças mudam para alimentos sólidos. Os pesquisadores sugeriram que esta criança terá morrido por causa da falta de carne, que é rica em vitaminas do complexo B. 

Estes achados sugerem que "o desenvolvimento do cérebro humano não poderia ter existido sem uma dieta baseada no consumo regular de carne", disse Domínguez-Rodrigo. "O consumo regular de carne na época sugeriu que os seres humanos eram caçadores até então." No entanto, existem outras causas potenciais para a hiperostose porótica além de desnutrição, como a malária ou parasitas. 

"Basicamente, qualquer coisa que se correlaciona com a contagem baixa de células vermelhas - seja devido a uma infecção no sangue ou perda de sangue, ou insuficiência nutricional - pode causar a hiperostose", disse o paleontólogo John Hawks da Universidade de Wisconsin, que não tomou parte no estudo. Ainda assim, Hawks observou que Domínguez-Rodrigo e seus colegas tomaram explicações alternativas para essas lesões ósseas em conta e eram razoavelmente cautelosos na sua interpretação dos dados. 




Agora, para Domínguez-Rodrigo, "a investigação deve tentar descobrir como os seres humanos estavam a adquirir carne regularmente. Que estratégias de caça foram usadas?" Os cientistas detalharam suas descobertas na revistaPLoS ONE.