quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

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Estudos apontam: 'Dormir pouco pode levar uma pessoa à morte'



As consequências a curto prazo de sono ruim ou insuficiente são bem documentadas, e incluem a diminuição do desempenho cognitivo e motor, memória prejudicada e um risco aumentado de lesão.
Os pesquisadores também sabem que os efeitos colaterais associados com prolongados períodos de sono inadequado são cumulativos. 
Em um dos mais extensos estudos de privação do sono em humanos já realizados, participantes restritos a seis horas de sono por noite durante 14 dias consecutivos se saíram tão mal em tarefas cognitivas e motoras quanto participantes que não dormiram nada por duas noites.

A longo prazo, pouco sono impacta negativamente o coração, os pulmões e os rins, o apetite, o metabolismo e o controle de peso, a função imunológica e a resistência a doenças, a sensibilidade à dor, o tempo de reação e o humor. Também é um fator de risco para a depressão e abuso de substâncias, e tem sido associado a um risco aumentado de obesidade, diabetes, doença cardíaca e certos cânceres.

Pode levar à morte


Sem surpresa, as consequências de longos períodos de privação absoluta de sono são menos bem documentadas do que as consequências de sono insuficiente. O que sabemos vem de alguns estudos, como o do psicoterapeuta John Schlapobersky, que teve a coragem de se atormentar com a privação total de sono, junto com outros participantes da pesquisa.

Ele ficou sem dormir por uma semana no total. “Eu me lembro de detalhes da experiência, embora tenha ocorrido há 35 anos. Depois de duas noites sem dormir, as alucinações começaram, e depois de três noites, tive sonhos enquanto acordado, o que é uma forma de psicose”, conta.
Até o final de uma semana sem dormir, as pessoas perdem a sua orientação no lugar e tempo. Uma janela pode se tornar uma vista para o mar vista em seus dias mais jovens, por exemplo. No geral, privar alguém de sono é mexer com o seu equilíbrio e sua sanidade.

Dependendo de para quem você perguntar, o recorde mundial de privação de sono intencional está em algum lugar entre 11 e 19 dias. As pessoas que sofreram essas longas crises de insônia supostamente se recuperaram dentro de poucos dias. No entanto, tanto quanto sabemos, nenhum ser humano já morreu devido a privação de sono intencional ou forçada. Animais são outra história.

Mas existem casos fatais de pessoas literalmente incapazes de dormir, como as que possuem insônia familiar fatal (IFF). Essa doença priônica extremamente rara do cérebro pode levar à morte.
O intervalo típico de sobrevivência de quem tem IFF é entre 7 e 36 meses. A doença progride da seguinte forma: insônia, alucinações e flutuações de temperatura (sudorese); perda completa de sono; rápida perda de peso; demência e falta de resposta, seguido de morte súbita.

Estes sintomas, e outros observados em estudos de perda de sono, sugerem que períodos prolongados de vigília podem acelerar a chegada da morte por “perturbação das funções críticas”, incluindo os relacionados ao hipometabolismo.

Esses sintomas se assemelham aos observados em animais forçados a ficar acordados, como uma pesquisa com ratos feita pelo cientista Allan Rechtschaffen, da Universidade de Chicago (EUA).
Não continue lendo esse relato se for um defensor dos direitos animais – será uma tortura.

Efeitos da privação do sono no corpo





Os resultados dos experimentos de Rechtschaffen, publicados em 1989, mostraram que “todos os ratos submetidos à privação de sono morreram, geralmente após 2 a 3 semanas”. Os pesquisadores testaram três graus de privação do sono: a privação total (os ratos foram mantidos acordados); a privação paradoxal (em que os ratos foram acordados apenas quando caíram no sono REM); e a privação de sono não REM.

Nenhum animal privado de sono sobreviveu a qualquer dos três métodos por muito tempo. O primeiro grupo durou 2 a 3 semanas, o segundo persistiu por cerca de cinco semanas e o último resistiu por pouco menos de sete semanas. Os resultados sugerem que diferentes partes do sono ajudam a preservar as funções necessárias do corpo de maneiras diferentes, mas todos são provavelmente necessários, em geral.

Por fim, os pesquisadores não apresentaram uma causa definitiva da morte. Explicações possíveis incluem quedas graves na temperatura corporal, o catabolismo (a quebra de moléculas corporais anteriores à morte), e infecção bacteriana.

Embora todos os três sintomas estavam correlacionados com a morte através de privação de sono, nenhum mostrou-se necessário; manter os ratos aquecidos, por exemplo, não pôde salvá-los, e arrefecimento artificial dos ratos de controle não os matou.

Os efeitos da privação de sono prolongada foram vários e preocupantes. Os ratos privados de sono comeram mais, só que perderam peso. Eles também perderam a capacidade de manter uma temperatura corporal saudável. Sua pele se deteriorou.

Muitos contraíram doenças bacterianas, embora os seus sistemas imunitários variavam quando se tratava de tipo e gravidade da degradação. Os pesquisadores não relataram nenhum dano cerebral óbvio. Os ratos privados de sono que puderam dormir antes que fosse tarde demais evitaram a morte, embora tiveram alguns problemas com o sono REM durante a sua recuperação.

Os resultados foram em geral desconcertantes, e contribuem para manter o estado de sono no topo dos mistérios intrigantes da biologia. Vale lembrar que não sabemos se os mesmos processos ocorreriam com seres humanos se eles fossem submetidos ao mesmo tipo de experimento. [Hypescience]