sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

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''O Universo não deveria existir'' Afirma nova teoria

O universo não deveria existir, pelo menos de acordo com uma nova teoria.


A modelagem de condições logo após o Big Bang sugere que o universo deveria ter desmoronado microssegundos após o nascimento explosivo, sugere um novo estudo.

"Durante o início do universo, esperávamos a inflação cósmica - esta é uma rápida expansão do universo logo após o Big Bang", disse Robert Hogan, do King College de Londres.

"Essa expansão faz com que um monte de coisas agitassem em redor, e se agitassem demais, poderíamos ir para este novo espaço de energia, que poderia levar o universo ao colapso", acrescentou.

Os físicos tiraram essa conclusão a partir de um modelo que representa as propriedades da partícula bosão de Higgs recém-descoberta, que se pensa explicar como as outras partículas obtiveram a sua massa.

Uma possível explicação sustenta que durante o flash de fogo após a explosão primordial do Big Bang, a matéria correu para fora a uma velocidade vertiginosa, num processo conhecido como inflação cósmica.

Este espaço-tempo curvado e espremido, criou ondulações conhecidas como ondas gravitacionais, que também torceram a radiação que passou através do universo, disse Hogan.

Embora esses eventos tenham ocorrido há 13,8 bilhões de anos, um telescópio no Pólo Sul conhecido BICEP2 detectou recentemente os traços de inflação cósmica na radiação de microondas de fundo que permeia o universo, apesar de outros cientistas terem já questionado a descoberta.

Mas a gravidade não era a única força em jogo no início do universo. Um campo de energia omnipresente, o chamado campo de Higgs, permeia o universo e dá massa às partículas que passam através do campo.

Os cientistas descobriram o sinal indicador do campo em 2012, quando se descobriu o bosão de Higgs e, em seguida, determinaram a sua massa.

Com uma maior compreensão das propriedades da inflação cósmica e da massa do bosão de Higgs, os pesquisadores tentaram recriar as condições de inflação cósmica após o Big Bang. O que encontraram foi uma má notícia para, bem, tudo o que existe.

Então, se o universo não deveria existir, por que estamos aqui? "A expectativa é que deve haver alguns novos dados físicos que nós não colocamos nas nossas teorias ainda, porque não temos sido capazes de descobri-los", disse Hogan.

Uma possibilidade, conhecida como a teoria da supersimetria, propõe que existem partículas superparceiras para todas as partículas conhecidas atualmente e talvez mais poderosos aceleradores de partículas possam vi a encontrar essas partículas, disse Hogan.

Mas a teoria da inflação cósmica ainda é especulativa e alguns físicos sugerem que o que pareciam ondas gravitacionais primordiais ao telescópio BICEP2 podem realmente ser sinais de poeira cósmica na galáxia, disse Sean Carroll, um físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Curiosamente, esta não é a primeira vez em que os físicos dizem que os feitiços do bosão de Higgs desgraçam o universo. Outros calcularam que a massa do bosão de Higgs levaria a um universo fundamentalmente instável, que pode acabar apocalipticamente em bilhões de anos.

A massa do bosão de Higgs é cerca de 126 vezes maior do que a do protão, estando no limite da estabilidade do universo, disse Carroll. Um pouco mais leve e o campo de Higgs seria muito mais facilmente perturbado; um pouco mais pesado, e o campo de Higgs atual seria estável.

Hogan apresentou as suas conclusões a 24 de junho na reunião da Royal Astronomical Society, em Portsmouth, Inglaterra, e o estudo foi publicado a 20 de maio da revista científica Physical Review Letters. [Livescience]