quarta-feira, 8 de julho de 2015

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''Universo poderá eventualmente rasgar-se'' afirma estudo recente


Segundo um novo modelo, o universo pode ser modelado como se fosse um fluido. As galáxias no universo são como partículas de fluido e podemos descobrir propriedades peculiares sobre o universo a partir dessa análise.



Por exemplo, você sabia que o universo tem um valor de viscosidade? Alguns pesquisadores têm utilizado a "viscosidade cosmológica" em alguns modelos tendo chegado a algumas conclusões bizarras acerca do futuro do universo.

Normalmente, quando você pensa em viscosidade, você pensa em xarope derramando lentamente de uma garrafa (muito viscosa) em comparação com água caindo de uma garrafa (baixa viscosidade).

Marcelo Disconzi, autor do estudo publicado na Physical Review D, lida com um tipo diferente de viscosidade chamado de "viscosidade em massa", que mede a quantidade que um fluido gosta de expandir ou contrair. Esta teoria faz sentido na medida em que o universo é muitas vezes descrito como algo em expansão.

Modelos anteriores que descrevem o universo como um fluido ignoraram a viscosidade cosmológica, tendo optado por olhar para o universo como um fluido ideal sem viscosidade. Este facto acabava sempre com as previsões dentro do universo, que poderiam felizmente quebrar as leis da física e permitir velocidades superiores à velocidade da luz.

"Isso está desastrosamente errado", afirma Disconzi, "uma vez que está bem comprovado experimentalmente que nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz". Então Disconzi e alguns outros matemáticos propuseram-se a criar um modelo do universo com viscosidade de modo a que os seus resultados não quebrassem essas leis fundamentais da física.

As suas conclusões partem de alguns resultados surpreendentes, chegando a um destino terrível para o universo, conhecido como o "Big Rip". O Big Rip está previsto acontecer algures num futuro distante, por isso não entre já em pânico. Este evento de sonoridade épica será o resultado da contínua aceleração da expansão do universo.

Imagine que você tem duas galáxias. Estas galáxias naturalmente se afastam umas das outras, porque o tecido do espaço-tempo está em expansão. A taxa de expansão também está a ficar mais rápida, de modo que as galáxias estão a separar-se mais e de forma mais rápida do que a velocidade com que o tempo passa.

De acordo com esta teoria, eventualmente, o tecido do espaço-tempo irá expandir-se mais rapidamente do que a velocidade da luz. O que isto significa para as nossas galáxias é que a luz que uma emite nunca irá chegar à outra porque a distância entre elas aumentaria mais rapidamente do que a luz pode viajar, levando a uma existência solitária.

Se esta tendência se mantiver, eventualmente, a taxa à qual se expande o espaço-tempo seria mais poderosa do que a força nuclear forte: a força que mantém os átomos juntos. Se a teoria estiver correta, isso irá acontecer daqui a cerca de 22 bilhões de anos; altura em que os átomos serão rasgados e separados uns dos outros pela expansão incontrolável do espaço-tempo.

No entanto, este novo modelo de um universo com viscosidade relativa só foi analisada do ponto de vista teórico. O próximo passo será testar as conclusões do modelo contra as nossas observações do universo usando computadores que podem vasculhar através dos dados complexos de forma a perceber a veracidade, ou não, da presente teoria. 

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