segunda-feira, 16 de novembro de 2015

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Especialista alerta: ''Brasil corre risco altíssimo de ser alvo do estado islâmico durante as olimpíadas''


Em entrevista cedida ao site ZH Notícias, analista teme que Brasil, a exemplo da França, vire alvo de radicais em 2016. Confira:




O Brasil está longe de permanecer salvo da ameaça terrorista. Pelo contrário. Essa é a opinião do Analista de Assuntos Estratégicos André Luís Woloszyn. Gaúcho, o coronel reformado da Brigada Militar é um dos maiores especialistas brasileiros em contraterrorismo. Escreveu três livros sobre o tema (com destaque para Terrorismo Global — Aspectos Gerais e Criminais), fez cursos no Exterior e foi analista da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Nessa entrevista, ele analisa os atentados de Paris e os riscos para outros países, como o Brasil:




O que o senhor achou dos atentados em Paris? É uma nova fase do Estado Islâmico?

Eram previsíveis. Começou com o ataque ao jornal Charlie Hebdo, ocorreram mais uns três, pouco divulgados, e agora esse massacre. Encurralado, o ISIS (ou EI) passou um duro recado: não há lugar seguro para seus inimigos. É a velha mensagem terrorista, agora amplificada pela internet. Eles tentam inviabilizar a conferência mundial que ocorrerá na França, em alguns dias. Talvez consigam.

O senhor enxerga algum risco para o Brasil?

Sim. Vamos sediar as Olimpíadas no ano que vem. E o Brasil nem de longe está preparado para terrorismo, até por desconhecer esse problema em décadas recentes. Se a França, acostumada ao terror desde a Guerra de Independência da Argélia, foi miseravelmente surpreendida com esses ataques da sexta-feira, o que dirá de um país como o Brasil, sem tradição de combate a esse tipo de crime?

Mas por que atacariam no Brasil, um país sem tradição de beligerância, sem engajamentos com guerras dos outros?

Porque o território é propício, sem maiores controles. E, veja, o Brasil vende armamento. Bombas cluster fabricadas no Brasil (do tipo que espalha pequenos projéteis explosivos), proibidas pela Convenção de Genebra, foram lançadas na Síria e no Iêmen, em áreas controladas pelo Estado Islâmico. Até coisas assim podem gerar vingança. Mas espero que não aconteça, para nosso bem.

Atentados em Paris

Mais de cem pessoas morreram na noite desta sexta-feira, em Paris, na França, após uma série de ataques terroristas em diversos locais da capital francesa. Tiroteios e explosões ocorreram de maneira coordenada em pelo menos seis lugares, segundo o jornal Le Monde, que cita uma fonte judicial: no Boulevard Voltaire, em frente ao bar La Belle, Bataclan, na Rua de la Fontaine, no bar Carillon e no Stade de France. Pelo menos cinco terroristas foram "neutralizados" à noite. A informação foi anunciada por François Molins, procurador de Paris.

Logo após os ataques, o Itamaraty confirmou dois brasileiros entre os feridos nos atentados. Parisienses descrevem como "estado de guerra" a situação da capital francesa no momento, alertando para um possível crescimento da onda xenófoba, ultranacionalista e de extrema direita no país, que está a três semanas das eleições regionais.

O presidente francês, François Hollande, decretou estado de emergência e fechou as fronteiras do país. Moradores são aconselhados a não deixarem suas casas. Todos os locais públicos, como escolas, museus e bibliotecas, permanecerão fechados neste sábado em Paris. O presidente pediu confiança à população francesa e garantiu que as autoridades do país devem ser "duras e serenas" para "vencer os terroristas".

O presidente norte-americano Barack Obama também se pronunciou após os ataques, garantindo apoio à França e descrevendo as ações como "ataques contra a humanidade". Pelo Twitter, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff,se disse "consternada pela barbárie terrorista" e expressou seu "repúdio à violência" e "solidariedade ao povo francês". Fonte: [ZH notícias]

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