domingo, 27 de dezembro de 2015

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China quer que o Estado controle a reencarnação do Dalai Lama


PEQUIM - O Partido Comunista da China é oficialmente ateu, mas isso não o impediu de tecer comentários inflamados sobre a vida após a morte recentemente. Parte dos discursos mais exaltados no congresso anual chinês desta semana foi dedicado a Dalai Lama, o líder budista tibetano exilado. 




A fúria se deve às suas recentes declarações de que não pode ser reencarnado, terminando a linhagem Dalai Lama deste século. Seus comentários minam os planos de Pequim de escolher um sucessor mais amigável em relação à China após a sua morte.

A posição da China é: se o Dalai Lama não controla a próxima vida, nós fazemos isso. O ex-governador do Tibete, Padma Choling, disse a jornalistas esta semana em Pequim que o Dalai Lama quer "lutar com o governo central chinês pelo direito de reencarnar".
- Ele pode decidir quando deixará de reencarnar? Isso é impossível - disse Padma.

Zhu Weiqun, assessor do governo, usando um raciocínio semelhante, declarou nesta quarta-feira que "a reencarnação do Dalai Lama tem de ser aprovada pelo governo central e não por quaisquer outros lados".

Ele criticou a recusa do Dalai Lama em ceder a demandas políticas de Pequim como uma "dupla traição" à China e sua fé. Também disse que o líder religioso exibiu uma "atitude muito desrespeitosa", sugerindo que poderia se reencarnar como um estrangeiro ou uma mulher.

- Existe alguém no mundo que tem esse tipo de atitude em relação a sua própria reencarnação? - questionou Zhu.

Notáveis reivindicações da China sobre o alcance da sua autoridade ressaltam a firme determinação do partido para controlar uma fé e um líder religioso com uma enorme influência sobre os tibetanos.

Os budistas acreditam que a alma reencarna depois da morte em uma eventual viagem ao nirvana, ou da libertação do ciclo de repetição ou nascimento e morte. O Dalai Lama é considerado um aspecto de Buda, cuja missão é ajudar os outros ao longo do caminho para o nirvana. A tradição budista tibetana sustenta que um Dalai Lama pode exercer algum grau de controle sobre como e quando a sua alma se reencarna.

No fim do ano passado, Dalai Lama disse que prefere ser o último dessa tradição de séculos a ter um "estúpido" como sucessor. Em entrevista ao programa “Newsnight” da BBC, o líder espiritual tibetano de 79 anos, que fugiu para a Índia em 1959, após tropas chinesas esmagarem uma tentativa de levante em seu país, afirmou também que as instituições criadas pelos homens devem acabar.

- A instituição Dalai Lama vai acabar um dia. Essas instituições criadas pelo homem deixarão de existir - disse à BBC. - Não há garantia de que não venha a seguir algum Dalai Lama estúpido, que causaria desgraça a si mesmo. Isso seria muito triste. Então, é muito melhor que uma tradição secular cesse na época de um Dalai Lama bastante popular. Fonte: OGLOBO

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