sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

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Cientistas descobrem técnica revolucionária que faz células cancerigenas cometerem suicídio


Uma nova terapia genética permitiu modificar células de câncer de próstata para que o corpo do paciente possa atacá-las e matá-las. A técnica descoberta por cientistas americanos induz o tumor a se autodestruir – daí o nome “terapia do gene suicida”.




A pesquisa identificou um aumento de 20% no índice de sobrevivência de pacientes com câncer de próstata após cinco anos de tratamento. Mas um especialista em câncer consultado pela reportagem disse que estudos adicionais são necessários para comprovar a eficácia do tratamento.

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais frequente entre homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. É também o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens – representa cerca de 10% do total de cânceres.

O trabalho, conduzido por pesquisadores do Hospital Metodista de Houston, no Texas (EUA), parece mostrar que essa “terapia do gene suicida”, combinada com radioterapia, pode ser um tratamento promissor para o câncer de próstata no futuro.

A técnica envolve a modificação genética de células cancerosas, que passam a emitir um “sinal” ao sistema imunológico para atacá-las. Em geral, o corpo não reconhece células cancerosas como inimigas, porque elas se desenvolvem a partir de células saudáveis comuns.

Diferentemente de uma infecção, que motiva a reação do corpo, o sistema imunológico não reage para matar células cancerosas. Usando um vírus para transportar a terapia genética até o tumor, o resultado é que as células se autodestroem, alertando o sistema imunológico do paciente para lançar um ataque em massa.

Em dois grupos de 62 pacientes, um recebeu a terapia genética duas vezes e o outro grupo – todos com uma forma agressiva de câncer de próstata – foi tratado três vezes. Os dois grupos também receberam radioterapia.

As taxas de sobrevivência após cinco anos foram de 97% e 94%, respectivamente. Embora o trabalho não tenha empregado grupo de controle, os pesquisadores dizem que os resultados mostram um avanço de 5% a 20% em relação a estudos anteriores sobre tratamentos de câncer de próstata.

Biopsias realizadas dois anos após o estudo deram negativo em 83% e 79% dos pacientes dos dois grupos. Brian Butler, da equipe do Hospital Metodista de Houston, disse que a descoberta poderá mudar a forma como o câncer de próstata é tratado. “Poderemos injetar o agente diretamente no tumor e deixar o corpo matar as células cancerosas. Uma vez que o sistema imunológico tenha conhecimento das células cancerosas, se elas voltarem, o corpo saberá como matá-las”, ressaltou.

Mais estudos são necessários.

Kevin Harrington, professor de imunoterapia oncológica no Instituto para Pesquisa do Câncer, em Londres (Inglaterra), disse que os resultados são “muito interessantes”, mas citou a necessidade de mais estudos.

“Podemos precisar de um teste aleatório para mostrar se esse tratamento é melhor do que apenas a radioterapia. Os vírus usados nesse estudo não se reproduzem. A nova geração de terapias virais pode se replicar seletivamente em células cancerosas – algo que pode matar o câncer de forma direta – e também ajudar a espalhar o vírus para células cancerosas vizinhas”, afirmou. Ele disse que seria “interessante” testar o tratamento com vírus que podem se reproduzir, para verificar se os resultados podem ser mais efetivos. [Jornal o sul]

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