quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

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''Podemos estar vivendo em teia de linhas-do-tempo alternativas'' Segundo Físicos renomados


Mesmo entre os estudiosos da física quântica, a Interpretação dos Múltiplos Mundos (ou, como também é conhecida, “Teoria dos Universos Paralelos“) tem poucos defensores (18% dos participantes de uma enquete recente feita pela Universidade de Viena, Áustria). Contudo, ela não deixou de intrigar centenas de pesquisadores desde sua publicação, em 1957.
Mundo quântico





De acordo com os princípios da mecânica quântica, a matéria em nível molecular se comporta de maneira “curiosa” (pelo menos em comparação com os modelos da física clássica): não é possível ter certeza sobre a posição de uma partícula no espaço, e o mero ato de observá-la interfere em seu comportamento. Nessa escala, o universo é imprevisível.

Na década de 1950, o estudante de física Hugh Everett III entrou em contato com a mecânica quântica, lendo a respeito de cientistas como Niels Bohr, Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger. Anos mais tarde, publicou sua tese de doutorado, “Quantum Mechanics by the Method of the Universal Wave Function” (“Mecânica Quântica pelo Método da Função de Onda Universal”), na qual defendeu, basicamente, que os princípios da mecânica quântica não afetam a matéria apenas em nível molecular, mas em escala macroscópica também.

Para ele, não se podia separar essas duas realidades, já que um universo ordenado não poderia conter elementos indeterminados.

O Postulado de Everett

De acordo com os princípios da mecânica quântica, o ato de observar um objeto quântico faz com que ele deixe o estado de incerteza e passe a existir em um único ponto – como ocorre no famoso caso do gato de Schrödinger. Everett defendia que isso ocorria em nível macro e, ainda, que a observação não fazia com que as outras possibilidades deixassem de existir: elas ocorreriam, mas em realidades alternativas.
O universo, nesse caso, seria composto por intermináveis linhas do tempo em que “todas as possibilidades” ocorreriam de alguma maneira – contanto que não contrariassem as leis da física. Como estaríamos “isolados” em uma dessas linhas, teríamos a impressão de que apenas ela existe.
Objeções

A interpretação de Everett não foi bem recebida por seus colegas (e nem pelo público em geral), e ele acabou largando a pesquisa em física e se tornando consultor.
Uma das principais objeções é a de que viola o princípio da conservação da energia (de onde viria a energia necessária para que os infinitos “mundos” existissem?). Além disso, seus parâmetros foram considerados muito vagos, e a teoria daria margem a conclusões absurdas – a cada vez em que você faz uma aposta, pelo menos uma “versão” sua vai ganhar, por exemplo.

Outro questionamentos são: o surgimento de novas linhas inclui mudanças intelectuais e emocionais? Existe uma linha em que Richard Dawkins é religioso e o papa é ateu? Existe uma linha em que o técnico do Corinthians é torcedor fanático do Palmeiras?
O principal problema é que a interpretação de Everett não pode, a princípio, ser testada, uma vez que as diversas realidades estariam isoladas umas das outras. Via: HypeScience [io9, Quantum Physics]

Veja também: Os buracos negros são ''portais para outros universos", de acordo com novos resultados quânticos