segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Cientistas descobrem proteína no feijão que pode parar o avanço do câncer no corpo

Diana Gaspar confessa ser fã de feijoada, mas para se conseguir ter algum efeito na prevenção do cancro da mama "seria preciso comer muitos quilos de feijão de uma só vez".


Cientistas portugueses encontraram uma forma de travar metástases cerebrais. É possível que a proteína do feijão se transforme num medicamento para mulheres com cancro da mama avançado.

A Investigação foi financiada pela associação Laço. A proteína do feijão pode transformar-se num medicamento para mulheres com cancro da mama avançado.

Tudo começou com uma desilusão, que fez com que o foco da associação Laço fosse alterado, em vez de apoiar o rastreio, o foco passou a estar no apoio à investigação.

Diana Gaspar, investigadora do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes é uma das beneficiárias das bolsas financiadas pela associação Laço.

Três anos após ter iniciado o projecto, a cientista já obteve os primeiros resultados. Em laboratório verificou que uma proteína extraída do feijão, a PvD1, consegue travar a invasão do cérebro pelas células tumorais. “Um grupo no Brasil já conhecia as propriedades antifúngicas da PvD1. Nós quisemos verificar as suas capacidades antitumorais”, explica Diana Gaspar.

Em Portugal estima-se que existam cinco mil mulheres com cancro da mama metastático, para o qual há poucas opções terapêuticas.

Com o financiamento da Laço, Diana Gaspar foi capaz de verificar que esta pequena proteína interfere com a capacidade das células tumorais, transportadas pela corrente sanguínea, de se fixarem à barreira hemato-encefálica, que protege o cérebro, mas que deixa escapar alguns invasores. “A proteína diminui a viabilidade das células tumorais que, mesmo escapando para a corrente sanguínea, chegam à barreira com as propriedades alteradas”.

O trabalho foi publicado na revista científica Nanoscale, e dependeu do uso de um equipamento ultrassofisticado, o microscópio de força atómica, que permite observar ao nível do átomo.

Toda esta investigação é financiada pela bolsa da Laço, a associação acabou por se transformar no Fundo iMM-Laço e está, desde o início de 2018, sedeado no próprio Instituto de Medicina Molecular.

Agora o caminho será prosseguir a investigação, testando o efeito da proteína do feijão, PvD1, num ratinho.

No futuro é assim possível que fique disponível um concentrado de feijão num comprimido.
Vamos acreditar na Ciência!