segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Alto comissário denuncia rede de pedofilia na ONU: 60 mil estupros em 10 anos

Ex-chefe Andrew MacLeod: “Há dezenas de milhares de agentes humanitários no mundo todo com tendências pedófilas. É endêmico no setor de ajuda humanitária em todo o mundo. O sistema está corrompido”


Recordamos hoje um assunto que, por alguma razão, parece ter sumido da “grande mídia” mundial sem que haja respostas claras sobre quais teriam sido as medidas tomadas a respeito e, principalmente, sobre como estará hoje a situação denunciada.



Em 2018, o jornal britânico The Sun divulgou um documento publicado por um ex-alto comissário da Organização das Nações Unidas, a ONU, denunciando uma estarrecedora rede de pedofilia em pleno seio daquela organização, com cerca de 3.300 funcionários envolvidos em 60 mil estupros perpetrados ao longo de 10 anos, o que configuraria um dos maiores e mais chocantes escândalos de pedofilia da história da humanidade.

Segundo The Sun, os dados, de 2017, haviam sido entregues ao Departamento Britânico de Desenvolvimento Internacional (DFID) pelo professor Andrew MacLeod, que já tinha atuado como chefe de ajuda humanitária da ONU em lugares como os Bálcãs, Ruanda e o Paquistão, país onde comandava operações do Centro de Coordenação de Emergência da entidade mundial. Suas denúncias envolviam principalmente os agentes humanitários da ONU, que teriam cometido abusos sexuais em dezenas de países de todo o globo, sobretudo em comunidades carentes. De fato, o documento de MacLeod afirma que milhares de pedófilos miram os trabalhos de ação humanitária visando acesso fácil a mulheres e crianças vulneráveis.

“Encobrimento endêmico”

Andrew MacLeod qualificou como “endêmico” o encobrimento desses crimes e acrescentou que as pessoas que tentaram denunciá-los foram demitidas.

“Há dezenas de milhares de agentes humanitários no mundo todo com tendências pedófilas. Mas se você usar uma camiseta da UNICEF, ninguém perguntará o que você está fazendo. Você tem impunidade e pode fazer o que quiser. É endêmico no setor de ajuda humanitária em todo o mundo. O sistema está corrompido e eles deveriam ter dado um basta nisso há anos”.

Os 60.000 estupros calculados por MacLeod se baseiam na admissão feita em 2017 pelo atual secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, de que as forças de paz e funcionários civis da entidade abusaram de ao menos 311 vítimas só nos 12 meses de 2016. A própria ONU admite que o número real de casos seja o dobro do relatado. De fato, MacLeod estimou que no máximo 10% dos estupros e agressões perpetradas por funcionários da ONU sejam denunciados, considerando que mesmo no Reino Unido essa taxa é de apenas 14%.

Com a Grã-Bretanha doando cerca de 2 bilhões de libras esterlinas por ano ao orçamento da ONU, MacLeod insistiu em que fosse feita uma investigação minuciosa por parte das autoridades britânicas:

“Os crimes de estupro de crianças estão sendo inadvertidamente financiados em parte pelo contribuinte do Reino Unido. Eu sei que houve muitas discussões nos níveis mais altos das Nações Unidas de que ‘algo deve ser feito’, mas nada de eficaz aconteceu. Se você olhar para o histórico de denunciantes, eles foram demitidos. Estamos analisando um problema na escala da Igreja Católica – ou maior ainda”.

Entretanto, o alarde e as generalizações midiáticas em torno aos casos de abusos sexuais perpetrados por clérigos católicos foi incomparavelmente maior do que está sendo no caso da ONU. Por quê?

A “ponta do iceberg” veio à tona com o escândalo da Oxfam International, uma confederação de 19 organizações e mais de 3.000 parceiros que atua em cerca de 90 países. Ainda em 2012, o Ministério das Relações Exteriores da Holanda recebeu um relatório interno da Oxfam detalhando abusos cometidos por funcionários da entidade no Haiti. Antes ainda, em 2008, denúncias semelhantes haviam chegado ao conhecimento da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

Priti Patel, ex-secretária do Departamento Britânico de Desenvolvimento Internacional (DFID), que renunciou ao cargo em 2017 acusando altos funcionários do próprio DFID de acobertarem crimes sexuais, considera que os abusos prosperam principalmente em dois contextos: quando as vítimas têm medo de falar e quando os que estão no poder não escutam – e este segundo contexto inclui governos.

Em 2017, a ex-primeira-ministra britânica Theresa May ameaçou interromper as doações à ONU até que a organização “recuperasse a confiança”. O governo do Reino Unido afirmou que teria “tolerância zero” no tocante a qualquer tipo de abuso sexual, mas, na altura das denúncias de Priti Patel, apesar da sua aberrante gravidade, não ordenou nenhuma investigação a respeito.

Andrew MacLeod acrescentou às suas próprias denúncias a consideração pessoal de que são cometidos crimes sexuais “sistemáticos” por agentes e funcionários a serviço da ONU e que tais crimes são acobertados “há muitos anos”. Fonte: ptateleia


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