sexta-feira, 6 de março de 2020

Frequentemente, as pessoas tratam-nos mal quando sabem que serão perdoadas, confirma estudo

É sempre bom refletir sobre as nossas ações e padrões comportamentais, para identificarmos áreas no nosso interior em que devemos trabalhar.

Para estimular esse exercício, deixamos um texto de reflexão adaptado sobre o perdão, da autoria de Marcel Camargo:



“Um dia destes, a conversar com um amigo que é psicólogo, questionei o facto de muitos filhos tratarem mal os pais em casa, enquanto publicamente exibem um comportamento educado, sendo pessoas queridas e estimadas. Então, ele respondeu-me que os filhos são mal-humorados com os pais porque têm certeza de que serão perdoados por eles. E isso explicou muita coisa.

Creio que o medo de podermos perder o outro é que nos faz tomar consciência da necessidade de tratá-lo bem e regar a relação com amor e cuidados. Por outro lado, acabamos por esquecer aquilo que já é costume, colocando no modo automático tudo o que já é uma certeza nas nossas vidas. Mas, na verdade, o que envolve amor e interação humana não sobrevive automaticamente.

Também comecei a refletir sobre a complexidade que o perdão carrega. Perdoar é preciso, porque nos tira um peso de cima, faz-nos olhar com mais clareza para os factos, bem como o nosso papel em tudo o que aconteceu. Embora existam situações em que perdoar seja extremamente difícil, tamanha a dor infligida, o perdão deve ocorrer para podermos ir embora sem mais nada que nos prenda a quem nos magoou. Para que tudo fique para trás.

Perdoar todos os erros do outro nunca o fará repensar a forma como age. Na certeza de que será sempre perdoada, a pessoa tem um passe livre nas mãos, para continuar a viver como quiser, sem pensar em mais ninguém, e é por isso que perdoar não nos obriga a manter o outro nas nossas vidas.

Se acabarmos por perdoar tudo sempre, afastamo-nos cada vez mais de nós mesmos, porque só priorizamos o outro, sufocando o que somos e sentimos pela necessidade de manter por perto quem devia sair da nossa vida. Perdoar faz bem e é vital, porque depois o adeus, ainda que doa, será mais leve e limpo.”
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